terça-feira, 18 de março de 2008

2000

Eu gosto de ter crisinhas.
Adoro meus dilemas.
Sou fã de perturbados e desajustados.
Problemas sem resolução são meu lema.
Atrai-me o mal resolvido.
Mizhogo, tropeço e acho graça.
Meu auto-controle é farsa.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Heartbreaker

- Você tem que assumir que acabou!
Foi dizendo essa frase que descobri de onde vêm todo meu apego e minha melancolia. Não os momentâneos, mas os característicos. Intrínsecos a mim desde não sei quando. Ou talvez agora saiba.
Estava na cama de minha mãe, lendo um texto para a faculdade. Ela entra e começa a arrumar umas coisas no armário. Digo: "Sábado vou pra casa do Matheus". O espanto só não foi maior pois eu já a havia avisado que queria sair de casa. Mas não deixou de ser afiado. Tanto que me sinto perfurado de alguma forma.

Porque, como, será, e o dinheiro, como é lá, os meninos num são doidões não, você vai perder seu conforto, e eu?... perguntas não tão interrogativas foram feitas e respondidas frigidamente. Não foi tão dificil, já que tinha a forte determinação como escudo a qualquer tipo de sentimentalismo.
Ela começou a chorar, de supetão, logo depois de se deitar do meu lado abraçada à almofadinha. Soluçou e imediatamente se virou, com vergonha das lágrimas, acho. Com vergonha de demonstrar tanta fraqueza perante minha máscara de força.
- Fico achando que você vai embora pelo que está acontecendo. Fico achando que a culpa é minha.
A culpa não é sua, mãe. Ninguém tem culpa, tendo em vista que todos têm. E minha vontade de ir embora é antiga. Os últimos capítulos da nossa novela familiar deram apenas uma boa oportunidade.

Não chorou por muito tempo. Eu não deixei. E não porque a confortei com abraços, beijos e cafunés. Mas com frieza, sem derramar uma lágrima nem trocar um toque sequer. Talvez tenha sido pior que um tapa bem forte no rosto. Mas enquano chorava, mostrou toda aquela tristeza inútil e repetitiva, de quem se apegou a um cadáver em putrefação que, além de memórias, nada mais tem de bom a oferecer.
- Você tem que assumir que acabou!
- Tenho, né, filho? Acabou, né? Tá certo.
Essa frase iniciou o epílogo das lágrimas. Tornaram-se soluços e mais algumas frases tristes que, em alguns momentos, transformaram-se em minha mãe em pé, indo ao banheiro lavar o rosto e se preparando para sair. Não tão forte e segura de si, mas melhor do que estava antes.

Sou um necrófilo. Me apego demais e acabo segurando zumbis por mais tempo que deveria.
Não tenho o mínimo orgulho disso. Tenho raiva de outros necrófilos. E talvez o "tapa bem forte no rosto" seja minha maneira de salvá-los de si próprios e aprender, aos poucos, a estapear meu próprio rosto.

Descobri de onde vêm o apego e a melancolia. Dela. Qualidades em certos momentos. Defeitos corrosivos atualmente. E acho que só eu posso me salvar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Bons budistas não dão bons artistas

Alguns amigos meus são (ou serão) grandes artistas. Há algo de nato neles, como se a expressividade do que falam ou fazem fosse mais fluida, menos enviezada. Esses mesmos amigos são os mais instintivos, no bom e no mal sentido. De duas uma: ou seu auto-conhecimento é pobre ou o auto-controle que é fraco. São sempre pessoas com um que de descontrole, daquelas que você nunca diria: "como é calmo esse sujeito".

E acho que artistas precisam ter isso mesmo. Esse descontrole. A música do músico, o quadro do pintor, a escultura, o livro, as obras em si não podem ser gestadas com rédea curta. O controle total do criador geraria um texto de auto-ajuda, empresarial, mercadológico, mas nunca belo, no sentido mais "artístico" do termo, embora eu tenha minhas dúvidas quando a um conceito/consenso do que seria a "Arte". O legal da "arte" está nessa expressão íntima do autor. Nessa sinceridade que pode ser percebida de alguma forma. Se "arte" é alguma coisa, acho que deve ter a ver com isso. Matemática nunca será arte. Fractal de cu é rola. Se é pra ser racional faça um teorema e não uma poesia.

Eu, nos meus eternos conflitos intra-pessoais, racionalismos, pensamentos analíticos demais, não creio ter muito talento pra ser artista. Mas talvez eu consiga balancear o lado direito com o esquerdo do cérebro e me fazer mestiço.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Escola da vida

Matéria do dia:

Aprendendo a descontar sua raiva nos outros:

> Tópico 1: dosagens
> Tópico 2: sentir-se tranquilo no durante e depois
> Tópico 3: falta de controle ou descarrego?
> Tópico final: você tem vocação para forninho?

valor: 100 malditos pontos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Eu, eu mesmo e Charlie

Certo dia o Otto estava muito nervoso e saiu da coleira. Ele sempre foi meio serelepe, mas naquele dia estava hiperbólico. Acho que a fome deve tê-lo deixado agitado...
Como de costume gritei o Clark. Ele já estava correndo atrás do Otto há muito tempo. Sempre eficiente esse Clark....ou quase. O problema é que ele nunca foi muito rápido, então o Otto acaba conseguindo arrumar alguma encrenca.
Ops! Perdão... que indelicadeza a minha. Otto e Clark são, respectivamente, meu ID e meu Superego. Amigos inseparáveis e eternos companheiros de todas as atividades. O Otto me acompanha desde que nasci. O Clark chegou depois, meio tímido, não falava muito. Depois se soltou. Hoje faz até piada, acredita?
Claro que nem tudo são flores. Otto e Clark são um tanto quanto... diferentes. Sempre brigam. Qualquer assunto é motivo para discordarem e trocarem alguns tabefes, mas tudo sempre acabou bem. As coisas ficaram realmente preocupantes quando nasceu o Charlie. Eu devia ter, sei lá, uns 13 anos, quando o Clark foi atacado. Não sei direito pelo quê, mas tinha cheiro de estrogênio. Deixaram o menino pro Clark cuidar. Coitado. 'Superegoso' como é não conseguiu negar a responsabilidade. O fato é que, depois de um tempo, o moleque cresceu.... e começou a fazer bagunça. Uma criança travessa, um adolescente rebelde e um adulto rabugento. 'Pior que isso só dois disso', já dizia Descartes.
Charlie herdou o que Clark sempre teve de pior: o criticismo. A falta do que fazer deve tê-lo deixado assim. O prazer supremo para ele é me podar. E não podar os galhos podres (desses o Clark sempre deu conta), mas os viçosos, que dariam os melhores frutos. Se por exemplo eu penso em fazer um curso de desenho muito legal, que vai me acrescentar muito, ele logo vem desestimulando: "Ei, panaca! Seu pai não vai dar a grana e você sabe disso. Pára de ficar querendo bobagem". Bom pai que é, o Clark raras vezes reprime Charlie, e o Otto, coitado, mal percebe o que se passa (normalmente fica no canto roendo algum objeto apetitoso... como a hipófise, talvez...). Se tentasse, provavelmente meu pai pagaria o curso sem reclamar (muito) e não se arrependeria. Mas o Charlie é muito persuasivo. Os argumentos dele sempre são dotados de uma maldita lógica incontestável.
Tem uma moça na festinha. Linda. Cabelos pretos. Doida comigo:
_ "Pensa bem mané. Se ela te der um fora a amizade de vocês vai pro saco. Você quer isso, quer?"
_ Mas Charlie... as minhas chances são de 97,3%. É muito difícil de eu tomar um fora.
_ "Sim, eu sei. Mas e SE ela te der um fora?! A chance é pequena, mas existe..."
_ É, talvez você tenha razão...............

Entende o que eu digo?
Só consigo fazer o que realmente quero se manipular o Clark. O Otto me ajuda com piruetas e umas carinhas de dó. Embebedar o Clark costuma funcionar também.
Se eu já tentei me livrar do Charlie? Claro. O problema é que, não importa o que eu faça... o maldito sempre volta depois de uns dois ou três minutos. Uma vez empurrei ele no Abismo (aquele buraco negro que todo mundo tem perto do pâncreas e que alguns chamam de Baço) e mesmo assim ele voltou. E voltou nervoso. Me xingou e aprontou um escândalo. O insistente sobreviveu até ao Grande Porre de 2005. Depois daquele dia acho que perdi um pouco das esperanças de eliminá-lo.
Crianças têm amigos imaginários. O meu é um inimigo. Ruim sem ele. Pior....muito pior com ele.
Um dia eu ainda tento morfina...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Caderno de piadinhas - 1

A mulher teve trigêmeos. O pai, surpreso, sem saber o que dizer, exclamou: oba!
Aí, ela engravidou novamente e teve outros trigêmeos.
O cara então desabafou: Oh Deus, tudo menos dízima periódica.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

- Como foi seu carnaval em BH? - disse a pequena moça

O corpo jogado ao chão treme um pouco e um braço cambaleia. A respiração volta; pesada e difícil, como se o ar fosse agora feito de chumbo derretido. Ele tenta falar:
- eur oderr... ohr... carrhnavrrhhl....
- O que?! - exclama, assustada, a pequena moça.
- eur oderr... ohr... carrhnavrrhhl........
Cada palavra estuprava as cordas vocais do homem, que desiste de tentar falar e simplesmente batuca do chão, tentando mostrar o máximo de raiva que conseguia:
- Ah, entendi! Carnaval ruim, né?
O homem levanta com dificuldade uma das pálpebras e, acompanhado a uma tentativa de soslaio, mostra seu dedo do meio. O que sobrara de seu corpo então cai e começa, enfim, a se decompor confortavelmente...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Kiss me, stupid

"Ontem ela bateu na minha porta por 45 minutos... mas eu não a deixei sair"

Dino (Dean Martin), em Beija-me, idiota, 1964. Dirigido por Billy Wilder.Vale a pena. =)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Dicionário do Rei

Poesia: clichê travestido como coisa nova.

Back to the future - Part 3 (1990)

Ele entra no saloon, arrastando a alma como se fosse um barril de pólvora. Aproxima-se do velho balcão onde costuma se apoiar. O bartender solidariza-se:
- Emmet! What can i get to ya? The usual?
- No, Chester, im gonna need something a lot stronger than that tonight.
- Salseparilla.
- Whisky, Chester.
- Whisky? Emmet, are you sure? You know what happened to you on the fourth july.
- Whisky.
- Ok. I ain't your papa. Just dont wanna see you doing the wrong thing.
O copo-dose é totalmente preenchido.
- Leave the bottle! - diz Emmet.
Um senhor bem vestido, que segura um pedaço de arame, observava tudo atencioso.
- Its a woman? Right?
Emmet pára o copo perto da boca, antes de beber, e o retorna ao balcão. Seu rosto entristece ainda mais.
- I knew it. I have seen that look on a man's face a thounsand times... all across the country. What i can tell you, friend: you'll get over her.
- Clara is one in a million. One in a Billion. One in a googolplex*. The woman of my dreams and i lost her for all the time.
- I can assure you sr., there are other women. I have peddling this barbedwire all across the country. This taught me one thing, certain: Is that you never know what the future might bring.
- Oh, the future. I can tell you about the future.

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Pra quem não entendeu o original em inglês:

Ele entra no saloon, arrastando a alma como se fosse um barril de pólvora. Aproxima-se do velho balcão onde costuma se apoiar. O bartender solidariza-se:
- Emmet! O que vai querer? O de sempre?
- Não, Chester, vou precisar de algo bem mais forte essa noite.
- Salsaparilha.
- Uísque, Chester.
- Uísque? Emmet, tem certeza? Você sabe o que te aconteceu no quatro de julho.
- Uísque.
- Ok. Eu não sou seu pai. Só não quero vê-lo fazer besteira.
O copo-dose é totalmente preenchido.
- Deixe a garrafa! - diz Emmet.
Um senhor bem vestido, que segura um pedaço de arame, observava tudo atencioso.
- É uma mulher, não é?
Emmet pára o copo perto da boca, antes de beber, e o retorna ao balcão. Seu rosto entristece ainda mais.
- Eu sabia. Já vi essa expressão no rosto de um homem mais de mil vezes... no país todo. O que eu posso dizer, amigo: você vai esquecê-la.
- Clara é uma em um milhão. Uma em um bilhão. Uma em um googolplex*. A mulher dos meus sonhos e eu a perdi para sempre.
- Eu posso lhe garantir, senhor, há outras mulheres. Vender esse arame através do país me ensinou uma coisa certa: você nunca sabe o que o futuro trará.
- Oh, o futuro. Eu posso lhe falar do futuro.

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*googolplex: Na matemática, um googol é o nome do número 10-100 (1 seguido de 100 zeros). Um googolplex é ainda maior: 1 seguido de uma quantidade de zeros igual a googol (a 1 with a googol zeros).

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Censurado

É o super-ego sendo sensato, já que eu não sou...

José

Não gosto de postar escritos inteiros de outros aqui, mas abro uma excessão para esta passagem que vale muitíssimo a pena ser lida.
Trecho de As Pequenas Memórias, de José Saramago. A título de divulgação.

"Cai a chuva, o vento desmancha as árvores desfolhadas, e dos tempos passados vem uma imagem, a de um homem alto e magro, velho, agora que está mais perto, por um carreiro alagado. Traz um cajado no ombro, um capote enlameado e antigo, e por ele escorrem todas as águas do céu. À frente caminham os porcos, de cabeça baixa, rasando o chão com o focinho. O homem que assim se aproxima, vago entre as cordas de chuva, é o meu avô. Vem cansado, o velho. Arrasta consigo setenta anos de vida difícil, de privações, de ignorância. E no entanto é um homem sábio, calado, que só abre a boca para dizer o indispensável. Fala tão pouco que todos nos calamos para ouvir quando no rosto se lhe acende algo como uma luz de aviso. Tem uma maneira estranha de olhar para longe, mesmo que esse longe seja apenas a parede que tem na frente. A sua cara parece ter sido talhada a enxó, fixa mas expressiva, e os olhos, pequenos e agudos, brilham de vez em quando como se alguma coisa em que estivesse a pensar tivesse sido definitivamente compreendida. É um homem como tantos outros nesta terra, neste mundo, talvez um Einstein esmagado sob uma montanha de impossíveis, um filósofo, um grande escritor analfabeto. Alguma coisa seria que não pôde ser nunca. Recordo aquelas noites mornas de Verão, quando dormíamos debaixo da figueira grande, ouço-o falar da vida que teve, da Estrada de Santiago que sobre as nossas cabeças resplandecia, do gado que criava, das histórias e lendas da sua infância distante. Adormecíamos tarde, bem enrolados nas mantas por causa do fresco da madrugada. Mas a imagem que não me larga nesta hora de melancolia é a do velho que avança sob a chuva, obstinado, silencioso, como quem crumpe um destino que nada poderá modificar. A não ser a morte. Este velho, que quase toco com a mão, não sabe como irá morrer. Ainda não sabe que poucos dias antes do seu último dia terá pressentimento de que o fim chegou, e irá, de árvore em árvore do seu quintal, abraçar os troncos, despedir-se deles, das sombras amigas, dos frutos que não voltará a comer. Poque terá chegado a grande sombra, enquanto a memória não ressuscitar no caminho alagado ou sob o côncavo do céu e a eterna interrogação dos astros. Que palavra dirá então?"

(J. Saramago)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Biologia de buteco

Alergia: sistema imunológico mimado dando piti.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Escamas

O chão do meu quarto está, há uns dois meses, com um problema sério de cera. Ela está descolando como nunca. Múltiplas lasquinhas grudam no meu pé, no chinelo, nos móveis, no lençol e dão a impressão de sujeira, mesmo logo depois do quarto ter sido limpado. Talvez o problema seja da própria cera, mas acho que o culpado é o tempo. Algum dia todos temos que trocar de pele. Mudamos por dentro e a carapaça já não é morfologicamente adequada às nossas novas formas. Acho que foi por isso que hoje, ao acordar, olhei com simpatia para meu chão. A raiva de antes se tornou identificação. Acabei entendendo-o. E se o processo é demorado, não é mais que normal. Mudar é difícil. Muito difícil. E eu e meu chão estamos passando por uma de nossas fases mais árduas nesse sentido. Descascando e soltando a pele velha. Deixando-a cair e mostrando, aos poucos, a nova. Mutando em vários aspectos e nos tornando melhores, de certo.
Pensando bem, ele estava descascando muito mais quando começou. Sinal de que o processo está em andamento e talvez chegando num fim. O que será que vai se tornar depois? No que irei me (re)fazer? Eu só posso esperar. E esperar. E esperar. E esperar que as próximas mudanças sejam mais fáceis... e menos sujas.

Tell everybody you know...

Hoje teve show dos prisioneiros. Algo que não experimentávamos há tempos.
Só pelo prazer de tocar já foi ótimo. Mas o melhor foi lembrar de uma coisa importantíssima:

Só o Rock'n Roll salva!

E hóstia é o caralho. Eu quero é cerveja, poha!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

"mulheres que nunca comerei"

porque ninguém falou da Mônica Belucci?
povo míope!


[vide blogs de ticle, dedé e marcelinha...]

Lançando moda

De uma iniciativa ingênua advinda da vontade de me expressar e posar de escritor, fiz esse blog, achando que isso era coisa comum na galera, que todo mundo já tinha o seu. Mas e num é que, fuçando hoje, descubro que "geral" fez blog na onda que eu lancei!? Déspota que sou, reivindico a liderança do movimento. E que venham muito mais blogueiros. Dé, Ticle, Marcelinha e companhia já são meus seguidores. E nem me venham com pseudo disputas do nível de "G cedilhas" ou "mulheres que nunca comi". A vanguarda é minha e ninguém tasca!!!

folhinha de abacate...

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"O Gangster"

Uma das coisas que mais me agrada numa história são bons personagens. No cinema não é diferente. Uma experiência de duas horas aguentando uma péssima fotografia, um roteiro arrastado e uma história clichê pode acabar sendo proveitosa só pela "companhia" do coadjuvante bem bolado e empático ou do protagonista profundo e sarcástico. Não que salve um filme péssimo, mas melhora.
Quando digo "bom personagem" não sei ao certo o que faz dele tão bom. Na verdade acho que existem vários tipos. Ontem fui assistir ao novo filme do Ridley Scott, O Gangster ("American Gangster", no original em inglês) e me dei conta do quando adorei os dois personagens que conduzem a trama. Um policial e um criminoso. O primeiro tem no currículo a devolução de 1 milhão de dólares, enquanto transa com a advogada que tenta o ajudar no processo para ficar com a guarda do filho. Agressivo e de métodos pouco ortodoxos, o personagem de Russel Crowe é contraditório: policial, homem da lei e da ordem, que tortura e engana testemunhas para livrar o parceiro viciado. Talvez ele escolha a moral que o convenha quando bem entende. O outro, um mega traficante de heroína do Vietnã enconde por trás de sua elegância e cavalheirismo um homem violento, sem piedade e rígido, que preza pela família, pelo respeito e pela dedicação ao seu trabalho, seja ele lícito ou não. Frank Lucas (Denzel Washington) não é um personagem tão inovador. Filmes de máfia bem feitos costumam ser bons em mostrar esse tipo de caráter ambíguo, mas perto de Richie Roberts se torna mais realista e interessante. Ao ser pego, Frank dialoga, negocia e consegue diminuir sua pena e é aí que Richie se mostra de maneira ainda mais explícita como o policial defensor da lei acima de tudo, mesmo manchado com seus desvios morais.
Esse tipo de personagens, que parecem pessoas reais, são interessantíssimos. Sem que seja necessário mostrar toda sua história de vida, nós os compreendemos e nos rendemos ao enredo, baseado em fatos reais (o caso d'O Gangster) ou não. Evito usar a palavra "profundo" porque muitos são interessantes mesmo na sua superficialidade, como no caso de algumas comédias românticas.
Entretanto, o deleite com esse tipo de personagem mais "realista" me preocupou ontem. Veja bem: gosto deles pois sinto que poderiam existir perfeitamente. Me passam uma sensação boa de realidade por serem ambíguos, imperfeitos e contraditórios. Reconheço então o paradoxo de "ser humano", o que nos torna interessante, é certo, mas causa imensa dificuldade na vida pessoal e na convivência com outros. Queremos nos encaixar e ser compreendidos, e dircursos ou personalidades contraditórios não parecem ajudar.
Bem, talvez eu esteja apenas sendo contraditório em gostar disso tudo ao mesmo tempo em que receio. Vou procurar ligar pro meu analista...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

cinema, as meninas e o passado

choveu, choveu, choveu,
mas saí de lá seco.
com sede daquele amargo ao qual me apeguei.
não creio que vá matar essa ânsia,
mas uma provadinha eu dou...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Tapete na entrada

É tudo tristeza reprimida. Liga não!
Acabou respingando aqui...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Guia dos mochileiros do sexto andar

João comprou o "Manual das palavras castellanas" para poder se orientar na Espanha.

Luísa pegou emprestado o "Guia prático de francês" para passar uns dias em Paris.

Rodrigo conseguiu a "Enciclopédia-Dicionário de inglês para principiantes" e se virou nos EUA.

Lívia arrumou o "Norueguês para não-noruegueses" para se dar bem em Oslo.

e Arthur adquiriu o "Chuva, sol, boatos e outros assuntos úteis" para se comunicar no elevador.

Você tem o direito de permanecer calado...

Olhei para baixo vi o chão
Olhei para cima vi o céu
Olhei para os lados vi montanhas, prédios, árvores, pessoas, bichos...
Aaahh!
SOCORRO! Estou cercado!!!

sábado, 1 de dezembro de 2007

?

Seu nome era Duval e ele tinha dúvidas.
Tá, todos temos dúvidas, mas Duval tinha mais.
Um dia estava atravessando uma avenida quando, de repente, parou. E pensou: porque continuar?. Realmente se indagou porque fazia aquilo... e parou. Tentou achar motivos; Prós e contras quanto a terminar a travessia.
Após muito pensar concluiu que, se tinha dúvida, algo estava errado naquilo. Não sabia o que, mas deveria haver algo.
Pensou em voltar. Mesmos questionamentos. Mesma conclusão. Duval parado no meio da avenida.
BAM
Morreu, esmagado, sem concluir que não entedia nada sobre atravessar ruas.

sábado, 24 de novembro de 2007

Esse idioma é uma piada

- Pai, que fruta é aquela?
- É a ameixa azul, meu filho.
- E porque ela é vermelha?
- Porque ainda está verde.



e ainda chamam o moleque de 'daltônico', coitado.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Etiqueta Real

"Arthur" vem do celta. Significa "o nobre" ou "o generoso" e é o nome do mais famoso "rei". Aquele da távola redonda e da excalibur e do qual alguns historiadores empolgados tentam comprovar a existência real e não apenas literária. De rei eu só tenho o nome (e um blog prepotente), mas não me faltam aspirações.
No meu reinado eu juntaria o melhor de Henrique VIII, Maquiavel e Sun Tzu: Criaria uma igreja apoiadora de meu reinado, seria amado e temido ao mesmo tempo e teria um monte de tropas legais pra brincar de Age of Empires. Meus súditos me adorariam. As altas classes me respeitariam e o povo teria em mim a imagem de um déspota justo, austero e piedoso.
Na adversidade só usaria de arbitrarismos egoístas em último caso: meus inúmeros conselheiros (os quais eu intitularia Câmara dos VIPs ou algo parecido) seriam ouvidos com toda atenção e refutados educadamente. Trataria meus aliados com suprema dedicação e veria inimigos se tornando amigos. E, por último, mas não menos importante, eu criaria o direito ao "cala a boca do rei".
Sinceramente, acho muito mais importante poder soltar um cala a boca" bem polpudo do que ter meus luxos bancados pelos impostos da população. Um casarão, refeições pomposas, roupas finas e dálmatas com pedigree não contribuem em nada para o país. São engodo publicitário que visa manter a imagem de realeza. Agora, o "cala a boca" é imprecindível ao monarca moderno. Numa época em que o que você fala, ou o que falam de você, é mais importante que o que você faz, instituir esse direito é uma decisão das mais adequadas.
Imagine só, poder golfar um "porque no te callas" em alto e bom som no meio de um discurso chato de algum desses presidentezinhos gordos com cara de incas das Índias Ocident... digo, América?! Isso não sendo instituido, a opinião pública poderia dizer que sou mal educado, arrogante ou até que prejudico a diplomacia. Mas tendo o direito, tudo estaria no protocolo. Afinal, as leis estão acima de todos, inclusive de presidentes, reis ou mega-empresários dos meios de comunicação, não é?
Só me pergunto se esses populistas falam tanto nos congressos porque deixam ou por falta de leis ou regras que os proíbam. Talvez seja o caso de falar com a ONU...

domingo, 18 de novembro de 2007

ploft

correndo
correndo
correndo...
de repente tropeço e caio de cara na areia.

outros, mais determinados, levantariam-se e continuariam a correr.

eu não.
simplesmente continuei deitado, confortável naquela fofura quetinha.

a preguiça é ortopédica.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

sorrateiras, essas palavras

Salman Rushdie, o autor de Versos Satânicos, ao responder a por que preferia escrever ficção, afirmou: "Na ficção pegamos o leitor desprevenido".

Então, já que eu sempre quis ser ninja, lá vai:


Era um anjo. Um anjinho filhote, de asas pequenas e ainda frágeis, embora ávidas pelo mundo supostamente fantástico das estripulias aéreas.
Certo dia, em meio à suas brincadeiras, quis tentar voar mais alto que as já tediosas planadas. Com muito esforço passou por cima de uma árvore de prata e caiu do outro lado numa nuvem fofinha. Estupefato, empolgou-se, e foi logo iniciando mais um impulso. Desta vez atravessou o ar acima de três casas de anjos. Capotou numa praça, ralou os ombros e os joelhos. Mas e daí!? Ele estava quase voando. Não como um arcanjo maestral, mas isso era questão de tempo.
Queria ver até onde conseguiria chegar. Da praça era possível avistar o palácio d'Ele lá no alto. Malicioso, curioso e cheio de energia, o anjinho aqueceu as penas e começou uma grande corrida. Atravessou toda a praça, a avenida e saltou, o mais alto que pode. As asinhas batendo como as de um beija-flor. E foi. Voando, voando. Toda a cidade abaixo dele cada vez menor. Vôou e vôou e, bem quando chegaria no palácio, trombou no muro e caiu.
Sim, caiu. Como uma rocha. Desacordado. E você sabe o destino de todo anjo que cai. Sem saber, o pobrezinho se dirigia rapidamente para o Inferno. Ou não!
Tinha uma Terra no meio do caminho. E caploft, foi lá mesmo que espatifou-se o coitado. Um sujeito, barba por fazer, chapéu surrado e botas cheias de furos, tropeçou no pequeno:
- João! Ô João! Vem ver o que achei! Um ganso. Dos gordos. E já veio quase todo depenado.
João veio correndo:
-Gan... que ganso o quê, Zé. Isso é pombo. Num percebe que é todo sujo?
-Ah, mas desse tamanhão dá janta das boas!!
Levaram-no. Cortaram umas cebolas e prepararam uma grande panela. Julgavam-no por morto. Afinal, anjo não precisa respirar. Mas bem quando iriam degolá-lo, o pequenino acordou:
-Que lugar é esse? Eu caí? Cadê Ele?
-Eita, Zé! O pombo tá falando!
Os dois humildes homens largaram o facão e perceberam o erro que haviam cometido. O anjinho explicou a eles que era da Cidade de Prata, lar dos anjos, e eles o explicaram que estava em Mujambira, lar de sêu Iraci, de dona Jamélia e de Joaquim Pereira Arruda Dias, o caçador. Confuso, perguntou aos homens se Mujambira ficava no Inferno e se Joaquim Pereira Arruda Dias era o diabo. Dissera que não, embora quisessem dizer sim, e prometeram levá-lo até quem o pudesse ajudar.
Já na delegacia, um polícial encaminhou o anjo ao delegado:
-Então você é um... como disse? Anjo? Bah. Cada maluco que me aparece.
Foi preso por falsidade ideológica. A sentença era outra, mas acabou sendo encarcerado num cubículo com dois assassinos. Um dizendo que o pequeno estava perdido e nada poderia ajudá-lo. O outro, com aparente fé no anjo, pediu sua ajuda. Após alguns dias, os dois tramaram um plano de fuga. Cavaram um buraco, oculto por um colchão, e ao final de um mês realizaram a escapada.
Na extremidade exterior do túnel, Joaquim Pereira Arruda Dias os esperava com uma foice e muita maldade. Entregou-os ao delegado e ganhou uma recompensa polpuda.
O pobre anjo e o infeliz assassino foram separados. Cada um numa cela fria, escura, sem colchão e cheia de insejos e outras criaturas subterrâneas. Passou fome e sede, não piores que a angústia.
Queria voltar a voar. Experimentar novamente a brisa deliciosa no rosto. O frescor do vento no peito. As lufadas de ar nas asas que o levavam mais alto.
Enlouqueceu. Sem o que comer devorou os próprios pés. Não precisaria deles já que aprendera a voar. O tempo passou e, faminto, abocanhou as pernas. Em seguida foi a barriga. O tórax. As mãos, os braços, os ombros e... pronto.
Morreu.
Sobraram cabeça e asas, tudo o que ele precisaria para voar e ser feliz, se ainda estivesse vivo.
Dias depois o cheiro começou a incomodar o guarda do corredor. Abriu a cela e tratou de se livrar da carcaça. Um padre caolho encontrou-a numa lixeira. Achou maravilhosa. Mandou empalhá-la e envernizá-la. Pendurou-a na parede da igreja matriz e deu-lhe nome: barroco.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Black and White

Argumento:
Disseram que quanto maior a área preta (ou bem escura) no monitor do computador, menos energia ele consome e menor é o cansaço dos olhos.

Intenções:
a) Poupar energia para:
a.1. Diminuir a conta de luz para não tomar esporro do meu pai.
a.2. Fazer minha parte na preservação do meio ambiente, já que menos energia consumida significa menos demanda energética o que resulta em menos necessidade de novas hidrelétricas e outras cavucações na natureza.

b) Causar o mínimo de cansaço possível nos leitores para que leiam mais e melhor meus textos.

Conclusão:
Blog preto com letras brancas.


Observação:
E você há de convir comigo que fica muito mais elegante!

domingo, 11 de novembro de 2007

Brincando com fogo



O Bindeez (e o aqua dots – parente próximo) contém, segundo análises, uma substância chamada de “ecstasy líquido” que pode causar nauseas, convulsões mentais (não me pergunte o que é isso) e talvez a morte.
A despeito disso todo o negocinho deve ser dos mais divertidos: colocam-se bolinhas coloridas num forma na posição que desejar. Depois borrifa-se água e, voilà, a tinta das bolinhas se torna adesiva e elas formam coisas! Isso mesmo: coisas, artes, desenhos divertidos, talvez até em 3D. Não é o máximo? Porque um idiota drogado tinha que inventar de colocar uma substância alucinógena no brinquedo? Aposto que foi brincadeira de espírito de porco. E agora o que acontece? Recolhem a obra fantástica. E porque? Devido aos acidentes que ocorreram com 12 crianças na Austrália e nos EUA. Drôga.
Quando acontecem “acidentes” com armas de fogo a arma não é recolhida em larga escala por ser considerada perigosa nas mãos de pessoas irrenponsáveis. Entregue uma arma a pessoas com a responsabilidade de uma criança e você tem um grande risco, assim como entregar aos infantes um brinquedo potencialmente perigoso.
Recolham-se as armas! Ou então me arrumem um certificado de usuário consciente de brinqueros tóxicos!
huhu
ah, acho que já tá bom, né?
eu nem gosto de linguiça...